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Desembargador manda soltar neto de ex-senador que atropelou e matou um agente do Detran


Foto: arquivo pessoal
Um possível favorecimento da Justiça gerou revolta na Paraíba. No último sábado (21), o estudante Rodolpho Gonçalves Carlos da Silva, neto do ex-senador e ex-vice-governador da Paraíba José Carlos da Silva Junior, atropelou um agente do Detran ao fugir de uma blitz da Operação Lei Seca.
Testemunhas afirmam que o motorista fugiu sem prestar socorro à vítima. O agente Diogo Nascimento Souza, de 34 anos, foi levado para UTI, mas morreu no domingo.
A juíza plantonista Andréa Arcoverde Cavalcanti Vaz, do 1º Juizado Especial de Mangabeira, decretou a prisão de Rodolpho ainda no sábado. Cerca de seis horas depois do pedido de prisão, a medida foi revogada pelo desembargador Joás de Brito Pereira Filho, do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJ-PB).
A defesa do acusado, mesmo sem ter sido notificada, apresentou um habeas corpus ao desembargador, que anulou a prisão. A juíza considerou que Rodolpho poderia destruir provas, já que fugiu do local do atropelamento. Mas o desembargador considerou que não havia motivos para manter o jovem preso.

O mesmo desembargador negou pedido de habeas corpus a um acusado de cometer crime semelhante, em 2013, ao fugir de uma blitz da Lei Seca. O desembargador levou em consideração que o estudante é réu primário, com bons antecedentes criminais, e que sua decisão foi técnica.
Os agentes do Detran da Paraíba cobram justiça e tratamento isonômico ao acusado, que é herdeiro da afiliada da TV Globo na Paraíba. “Não se espera, de maneira alguma, o cerceamento do direito de defesa do acusado, mas também, não se espera nenhum grau de parcimônia por parte do poder judiciário com relação à conduta criminosa por ele praticada. Sendo assim, os agentes de policiamento do Detran-PB e todos os envolvidos direta e indiretamente com a Operação Lei Seca na Paraíba, clamam para que o caso seja tratado de maneira isonômica, e que o cidadão Rodolpho Gonçalves Carlos da Silva, independente de classe, cor, raça ou condição financeira, responda por suas condutas como estão sujeitos todos os cidadãos brasileiros”, diz a nota.
O promotor de Justiça Marinho Mendes, em seu perfil no Facebook, afirmou que “se fosse o filho de um pobre, de uma pessoa comum, o senhor nunca teria acordado às 3h da madrugada para soltá-lo, não. E isso quem paga é a instituição, que por essas e outras vai ficando sem fé no senhor, pois quem manda é o dinheiro, somente o dinheiro e o poder”. 
Rodolpho dirigia um Porsche cor branca. No impacto do atropelamento, uma das placas do carro caiu e foi possível identificar o dono. A carro está em nome de Ricardo de Oliveira Carlos da Silva, filho do ex-senador. No entanto, de acordo com informações da polícia local, Rodolpho foi identificado como condutor por meio de denúncia anônima.
 
(Bahia Notícias)