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Seca: 96 municípios baianos em estado de emergência




O Governo da Bahia já decretou situação de emergência em 96 municípios, com população total de 1,2 milhão de pessoas. Em 51 destes municípios, o Governo Federal reconheceu a situação de emergência. Um total de 152 são atendidos por carros-pipas contratados pelo Exército. Ao todo são 1.632 veículos que atendem prioritariamente as populações da zona rural. São unidades do 19º Batalhão de Caçadores, de Salvador, 35º Batalhão de Infantaria, de Feira de Santana, 4º Batalhão de Engenharia de Construção, de Barreiras, 72º Batalhão de Infantaria Motorizada, de Petrolina (Pernambuco), 28º Batalhão de Caçadores de Aracaju (Sergipe) e 1ª Companhia de Infantaria de Paulo Afonso.

Segundo a Tribuna da Bahia, tendo transcorrido do período chuvoso, que vai de janeiro a maio, a região do Semiárido baiano, onde estão inseridos 265 municípios, deverá ter chuvas abaixo da média histórica, conforme análises do Centro de Previsão e Estudos Climáticos (Cptec). Os dados do Cptec indicam que na maior parte da Região Nordeste, a maior probabilidade das chuvas é de que elas ficarão abaixo do normal histórico climatológico.


A seca considerada a pior dos últimos 100 anos provocou uma queda de 8,1 milhões de toneladas da produção agrícola baiana em 2015, para 5,3, milhões em 2016. Um levantamento feito pela Secretaria Estadual de Agricultura (Seagri), as culturas que mais sofreram com a estiagem em 2016 foram as de algodão (43%), feijão (54%), milho (42%), soja (23%), cacau (24%) e café (11%). 

Conforme explicou a Seagri, além da agricultura, a pecuária baiana também enfrentou sérias perdas. De 2012 a 2015 o rebanho bovino foi reduzido em mais de um milhão de cabeças, saindo do patamar de 11. 587.459 cabeças para 10.494.203 animais. As perdas de 2016 ainda não foram completamente contabilizadas. As expectativas para este ano, conforme a nota da Seagri, é de que, com o fim do período do El Niño e a normalização climática, que a produção volte a crescer na Bahia este ano.

De acordo com a Tribuna da Bahia, os levantamentos iniciais apontam que a produção de grãos na Bahia na safra 2016/2017 será de 7,73 milhões de toneladas, o que representa um crescimento de 46% em relação à safra 2015/2016. A expectativa é que o volume produzido com algodão cresça 25%, alcançando 772 mil toneladas. A soja deve ter uma produção de 4,7 milhões de toneladas (45,4% de crescimento), enquanto o milho tem de colheita esperada de 2,2 milhões de toneladas (54% de crescimento). 


A produção de feijão, confirmando as previsões iniciais, atingirá 242 mil toneladas, o que representará 75% de crescimento, normalizando o abastecimento estadual e contribuindo para a normalização do abastecimento do Nordeste. “Vale ressaltar que esses números são iniciais e serão ajustados mês a mês”, diz a nota da Seagri..

Para tentar diminuir as perdas dos produtores rurais nos municípios afetados pela seca, o governo se vale da liberação de linhas de crédito rural, que por meio da medida provisória (MP) 733/2016º, aprovada em novembro do ano passado, pelo Senado, permite aos produtores renegociarem e quitarem dívidas. A medida impediu o prosseguimento de leilões das terras dos agricultores, pelos bancos credores, o que evitou maiores prejuízos, já que teriam que parar de produzir.