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Jovem de 18 anos desenvolve aparelho que facilita comunicação com pacientes em coma


Foto: divulgação

Aos sete anos Luiz Fernando gostava de assistir documentários sobre a vida de grandes cientistas. Ele adorava desmontar brinquedos para construir novos, brincar com kits de química e capturar insetos. Desde cedo seu plano era realizar algo que fosse relevante para a humanidade para ser imortalizado em filmes, livros e documentários.

Hoje, aos 18 anos, o sul-matogrossense iniciou sua jornada rumo a perpetuação de suas ideias. Ele foi vencedor da Intel International Science and Engineering Fair (Intel ISEF) ao apresentar o projeto Hermes Braindeck, um aparelho criado para ajudar na comunicação de pacientes em coma ou estado vegetativo.

Os primeiros testes com o Hermes Braindeck devem acontecer na Santa Casa de Campo Grande MS, mas ele já está em negociações com o Hospital Albert Einstein, também. O jovem inventor descreveu a sua criação em entrevista ao Canaltech.


"O método usado hoje em dia nos hospitais ao redor mundo para classificar o nível de consciência de pessoas que sofreram algum tipo de trauma cranioencefálico, que é a Escala de Coma de Glasgow, é ineficaz algumas vezes. Há casos em que a pessoa está totalmente consciente, mas não consegue movimentar seus músculos, logo não pode mover os olhos, membros ou falar. Para tentar contornar esse problema, eu propus criar um dispositivo portátil capaz de detectar se a pessoa consegue responder a comandos, sem que a pessoa mova um músculo, apenas usando seus pensamentos.

Nosso cérebro funciona com pulsos elétricos. Assim, com uma touca de eletroencefalograma (EEG), que é como uma série de antenas no couro cabeludo, eu consigo capturar esses pulsos elétricos e enviar para um programa de computador que reconhece padrões nestes pulsos. Cada pensamento que temos gera um padrão. Então, eu consigo orientar uma pessoa classificada como comatosa ou vegetativa, pelos métodos atuais, imaginar coisas específicas como um movimento de um membro para responder “sim” e o movimento de outro para responder “não”. Se a pessoa estiver escutando os comandos do computador, ela gerará estes pensamentos, que geram os pulsos distintos que o computador consegue reconhecer. O computador, então, transforma estes pensamentos em respostas para perguntas.

A outra novidade é que o programa de computador consegue guiar os pensamentos da pessoa para que estes sejam convertidos em palavras, sem o uso da visão. Característica esta inexistente mesmo nos trabalhos da literatura científica, pois as interfaces para pessoa paralisadas, como o prof. Hawking, por exemplo, dependem do uso da visão, inexistente nos pacientes comatosos e vegetativos. Todo o treinamento do programa para reconhecer estes pensamentos é feito automaticamente, e até mesmo a voz dos familiares do paciente, pode ser usada no programa. " 

Canaltech


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