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Bahia: Hospital das Clínicas pronto para realizar cirurgia de troca de sexo




Em tempos de ampla discussão sobre identidade de gênero, sexualidade e outros temas relacionados ao comportamento humano, tem sido cada vez mais importante a existência de espaços de orientação a pessoas que estão buscando, por exemplo, uma cirurgia de mudança de sexo. Mas aqui em Salvador, o único local até então habilitado para realizar o atendimento a esse público, não vem tendo condições de realizá-lo, por causa de entraves junto ao Ministério da Saúde.


Trata-se do Hospital Universitário Professor Edgard Santos (Hupes) – também conhecido como Hospital das Clínicas – localizado no centro da capital baiana. De acordo com a médica, Luciana Oliveira, coordenadora do ambulatório de sexualidade da unidade de saúde, a capacitação dos funcionários foi feita no final do ano passado, mas os atendimentos clínicos e cirúrgicos ainda não foram iniciados pois ainda não saiu a habilitação pelo órgão federal.

“Para poder fazer os atendimentos conforme a Portaria do Processo Transexualizador é necessária a habilitação pelo Ministério. A Sesab é a responsável por intermediar este processo. [A Secretaria] fez a vistoria das instalações do HUPES e publicou isso também no final de 2016. O Ministério na época retornou o processo à Sesab com novos questionamentos que foram respondidos integralmente no início de 2017”, explicou Luciana.

Segundo a gestora, a Sesab é a responsável por intermediar nosso diálogo com o Ministério da Saúde. Contatos estão sendo feitos constantemente, junto ao órgão, e a última informação que chegou até a médica foi a de que o projeto já passou por todas as etapas de avaliação técnica e tendo sido aprovado, mas ainda aguardando assinatura para que sua habilitação seja publicada no Diário Oficial. 


“Acredito que precisamos de ajuda política para que ocorra essa assinatura. Se pensarmos que cerca de 1% da população mundial é transgênero e não há nenhum serviço habilitado no estado da Bahia, a habilitação do HUPES é essencial para que possamos prestar assistência à saúde desta população”, apontou.

Questionada se a questão financeira para a realização do procedimento poderia ser um entrave – além da parte política, conforme dito por ela – para o início dos atendimentos, ela concordou, mas com ressalvas. “Não deveria ser um entrave já que estamos apenas tentando cumprir uma portaria do próprio Ministério da Saúde”.

Estrutura

De acordo com a médica, O HUPES dispõe de toda a estrutura para atender a portaria do Processo Transexualizador. Dentre os serviços a disposição do público estão os de serviço Social e enfermagem para o acolhimento inicial e encaminhamentos. Além disso, existe uma equipe de médicos clínicos, como endocrinologista. Há também cirurgiões treinados para a realização dos procedimentos cirúrgicos previstos na Portaria. 

“Todos os indivíduos deverão passar por uma avaliação prévia pelo serviço de psiquiatria e os interessados em procedimentos cirúrgicos deverão ter acompanhamento psicológico por no mínimo 2 anos. Como a nossa equipe de psicólogos é pequena, estabelecemos parcerias com outros serviços do SUS para colaborar neste acompanhamento psicológico”, pontuou a Luciana Oliveira.


A previsão é a de que, assim que entrar em funcionamento, seja realizada uma cirurgia de mudança de sexo por mês. “Visto que existe uma grande quantidade de pessoas que também precisam ser operadas por outros servicos no centro cirúrgico do HUPES. Além disso, o hospital necessita urgentemente de mais recurso para uma ampliação das salas cirúrgicas para assim poder atender pessoas do Processo Transexualizador e outros cidadãos do estado da Bahia”, finalizou a gestora.

A reportagem da TB entrou em contato com a assessoria de comunicação do Ministério da Saúde, em Brasília, para saber quando uma solução para o problema seria dada, mas, até o fechamento desta edição, não obtivemos resposta.

  Tribuna da Bahia  



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