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Movimento ocupa sede do Inema em Guanambi contra projeto de mineração






Camponeses e camponesas da região do Alto Sertão da Bahia ocupam, nesta segunda-feira (27/11), a sede do INEMA – Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia, em Guanambi, para denunciar as consequências para as comunidades tradicionais da extração de minério e construção da ferrovia de escoamento de minério.




A ocupação é contra o projeto Pedra de Ferro, que inclui a FIOL – Ferrovia de Integração Oeste-Leste, empresa que tem como objetivo a exploração intensiva dos minérios de forma privada sobre o controle do capital internacional. O projeto de exploração da BAMIN – Bahia Mineração visa extrair minério de ferro no semiárido da Bahia, através do uso abundante de água do São Francisco, que já está em degeneração em decorrência dos projetos da mineração e do agronegócio.

Os agricultores estão sendo afetados no rebaixamento do lençol freático que acaba com a água utilizada para a produção de tomate, feijão, hortaliças, beterraba, cenoura que abastece, em especial Guanambi, principal cidade do Polo Regional do Alto Sertão. “Por isso estamos denunciando esse projeto que corresponde ao formato do atual modelo mineral brasileiro de caráter exploratório e reivindicando a soberania popular na mineração enquanto um debate urgente e necessário para forjar uma força popular que possa garantir as condições históricas de exercer a mesma”, ressalta Camila Mudrek.




Segundo levantamento da CPT em 2009, a outorga da ANA – Agência Nacional De Águas concedida à BAMIN é suficiente para atender uma população de 700 mil habitantes. Já em seu estudo a empresa disse que a incorporação de uma tecnologia reduz o consumo de água em 49%. “Ainda que este não venha ser o volume de consumo diário por parte da empresa, a mesma tem permissão para consumir a quantidade de água capaz de atender 300 mil habitantes por dia”, destaca a militante do MAM, Camila Mudrek.

Em outubro, o Ministério Público da Bahia recomendou à Bahia Mineração (Bamin) que não implante uma barragem de rejeitos na Área de Preservação Permanente (APP) do Riacho Pedra de Ferro, localizada em Caetité e Pindaí (BA). A recomendação responde a uma das solicitações das populações em conflito com a referida empresa, que visa construir uma barragem de rejeitos em uma APP de mais de 700 hectares, preservada por moradores do entorno. A APP conta com 32 nascentes responsáveis pelo atendimento hídrico de mais de 3 mil famílias dos municípios do semiárido de Caetité, Pindai, Licínio de Almeida e Ibiassucê.




Os camponeses da região do Alto Sertão da Bahia sofrem também com o processo da implantação da Ferrovia que trouxe um rastro de destruição, desde as propriedades produtivas, rios, árvores frutíferas e casas rachadas depredadas por lascas de rocha de mais de 100kg. A maioria desses agricultores não foram indenizados e sofrem as consequências da violência do capital mineral.

O Projeto

O Projeto Pedra de Ferro da Bamin iniciou em 2007 e visa a exploração de 19 milhões toneladas de minério de ferro nas divisas entre os municípios de Caetité e Pindaí. O projeto pretende entrar em operação em 2019 e está na fase de instalação. As últimas licenças obtidas pela empresa junto ao INEMA recomendava que a empresa realizasse o trabalho de sondagem como etapa de preparação para construção da barragem de rejeitos.

Comunicação MAM/BA



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