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"O Lapa Folia 2018 perdeu a magia", afirma diretor do Bloco Paquera





A reportagem do Portal Lapa Oeste conversou com um dos fundadores do Bloco Paquera, Demétrios Pascoal de Almeida Rocha, e que também é o atual responsável pela Assessoria Regional de Comunicação e Promoção Institucional da Codevasf, em Bom Jesus da Lapa, sobre a decisão de retirar o bloco do Lapa Folia 2018.



PLO: A notícia da saída do Bloco Paquera, do Lapa Folia 2018, movimentou a sociedade lapense nas últimas semanas. Explique aos nossos leitores os fatos que levaram a diretoria do Bloco a tomar essa decisão.

Nós temos uma responsabilidade com o pré-carnaval, que é um evento criado em 2000 e concretizado em 2001. Foi nossa [Bloco Paquera] a ideia de fazer um carnaval diferente. Na época ainda era na praça da prefeitura, um pouco defasado. Nós fizemos uma revolução. Trouxemos trios elétricos com atrações de renome estadual e nacional. Depois disso tudo, em 17 anos de atuação, chegamos a este momento de tristeza, pois o bloco não pode participar neste ano, devido a vários fatores internos e externos. Os internos são bem menores. Os externos foram decisivos para nossa decisão.

PLO: O que agiu externamente para a retirada do Bloco?

Há alguns meses, a Prefeitura apresentou a taxa de 100 mil reais para a participação dos blocos, sob uma forma inflexível. Houve uma dificuldade de diálogo no início, entre representantes dos blocos e a prefeitura. O valor é fora da racionalidade e inviável para a participação do bloco. Recusamos. No último mês de dezembro, fomos convidados para outra reunião, onde foram apresentados valores de 25 a 30 mil reais, ainda muito altos. Mesmo assim, tentamos obter o custeio para participar da folia e não obtivemos sucesso. Quando nos apresentaram o valor de taxa zero, não tínhamos mais nem trinta dias para fazer o evento, com toda a divulgação regional. Por isso, optamos por não participar.



PLO: Trinta dias não seriam suficientes para organizar e participar do pré-carnaval? A insegurança quanto ao retorno financeiro influenciou a decisão?

Em termos práticos, a necessidade de responder a uma expectativa de um padrão de qualidade alcançado pelo bloco nos muitos anos de participação, não permite que participemos com uma estrutura menor em 2018. Não temos somente fins lucrativos. Pretendemos abrilhantar a festa de Lapa. Isso sempre aconteceu. Nós sempre fizemos um trabalho de pesquisa, cerca de cinco meses antes da festa para apresentar na avenida. Para esse ano, nós fizemos uma pesquisa durante 2017. Sabemos hoje que as pessoas queriam atrações musicais diferentes destas que foram anunciadas. Temos o compromisso de fazer o melhor para a cidade. Como prova, a festa será realizada, mas a cidade não mergulhou no ambiente da magia da Folia.

PLO: A cidade não demonstra essa magia para 2018?

Não é simplesmente a banda, a atração. As pessoas se reconhecem no bloco, por serem atendidas em termos de artistas e forma de trabalho. O carnaval de Lapa serviu de modelo para outros carnavais do Oeste, como Santa Maria da Vitória, Santana e Barreiras. O modelo de camarotes foi lançado aqui em Bom Jesus da Lapa.



Para esse ano tínhamos uma proposta interessante de juntar os blocos 10 e Paquera, num tipo de Paquera Mais 10. Nós buscávamos formas e fazer o pré-carnaval. Estávamos negociando com o bloco 10 há algum tempo. São dois blocos que possuem tipos de públicos diferentes para fazer uma mistura na festa. Procuramos o prefeito e nos oferecemos para que os investidores de outras cidades investissem na união dos blocos. Mas, nos recusaram e não sabemos o motivo. A recusa demonstra, na minha opinião, um certo egoísmo, uma forma não lapense de pensar o evento. O bloco de fora não tem identidade nenhuma com a festa. Tudo que foi construído nos anos de festa tem a participação dos blocos, principalmente, o Paquera. Todas as novidades teve a participação do Paquera. A qualidade do Bloco 10 também deve ser enfatizada. Cada bloco buscando fazer o seu melhor camarote.

PLO: Após o anúncio da desistência do Bloco Paquera, as redes sociais foram tomadas de mensagens aprovando ou reprovando a decisão. Muitas críticas foram direcionadas, de forma pessoal, à diretoria. Como você receberam essas críticas?

Pessoas se manifestaram nas redes sociais para falar mal do Paquera. Sabemos que são grupos organizados que tem por objetivo difamar o bloco. São interesses particulares. Procuramos a policia contra essas difamações. Querem atingir a diretoria e o próprio bloco, descontruindo a história do Paquera no pré-carnaval. Quem ganha com essa desconstrução?



Outro objetivo é o político, pois foi citado o nome de Arley da Codevasf [Harley Xavier Nascimento, superintendente regional em Bom Jesus da Lapa], em uma mensagem tendenciosa, sem lógica. Também vem a questão financeira, porque vivemos um momento difícil, mas o Paquera sempre pagou a sua parte e arcou com os prejuízos da festa. Assim, as pessoas que falam de forma negativa não são foliões, possuem interesses escusos. Recebemos muitas mensagens de apoio. 

PLO: Você disse que a cidade não demonstra a magia do pré-carnaval, verificada em anos anteriores. Quais os indícios que o levaram a essa conclusão?

Na cidade o sentimento do pré-carnaval é um sentimento “pré-cário” (risos). Porque as pessoas gostam do pré-carnaval e não somente de determinados blocos. Na pesquisa do Paquera o folião tinha escolhido algumas atrações. Xand do Aviões foi um dos nomes citados e nós já tínhamos contatado. Por outro lado, Gustavo Lima não era preferência em nossa pesquisa, enquanto Bell também não foi apontado como atração principal.



Na época que pesquisa, em 2017, o DJ Alok foi um dos nomes preferidos ao lado de Pablo Vittar. Também registramos a preferência pela dupla Jorge e Mateus. Nossas negociações estavam avançadas pelo Paquera para que trouxéssemos atrações de renome internacional.

PLO: Ainda sobre as críticas negativas à retirada do Paquera do pré-carnaval, você concorda que pode arranhar a imagem do bloco para as próximas festas?

Não podemos aceitar as críticas negativas direcionadas ao Paquera em veículos locais de comunicação. Ninguém destrói a posição do bloco como fundador do Lapa Folia. A concorrência entre o Bloco 10 e o Paquera trouxe brilho ao pré-carnaval. Ele relembra a alegria que o Paquera produzia no período anterior à festa. A população se movimentava com eventos anteriores, principalmente, na praça da antiga prefeitura. Pessoas se deslocavam de diversas cidades da Bahia e de outros estados.

Infelizmente, com a saída dos blocos Paquera e 10 o pré-carnaval de Lapa perdeu a magia. Além da estrutura e de atrações, o folião quer a alegria e a magia. Sem os blocos, esse clima se perdeu para 2018. 



PLO: Entre as críticas divulgadas, algumas pessoas se referiram ao custeio do bloco, afirmando que se aproveitava de recursos públicos. Até que ponto o financiamento da prefeitura manteve a estrutura dos blocos?

Primeiramente, é necessário deixar claro que é mentira as afirmações de que o bloco se aproveitava dos recursos públicos. A diretoria sempre contou com o auxílio da Prefeitura, como todos os outros, mas o montante maior de recursos era obtido pelas diversas formas de arrecadação do bloco. Eu desafio aos que nos acusam a encontrar dinheiro público que foi investido em bandas na cidade. As pessoas são levadas a mentiras que ajudam a destruir as coisas boas da cidade.

Os maiores investimentos que fizemos foram bancados com recursos próprios, como Bell no ano da saída do Chiclete com Banana, que custou 400 mil reais. Mentiram dizendo que a Prefeitura tinha pago o cachê do artista. Depois Wesley Safadão, por 400 mil, e Ivete Sangalo ficou por 350 mil reais.

Mesmo com todas as dificuldades, sempre mantínhamos o bloco na avenida. Nesse ano, infelizmente, não houve possibilidade. Mas, asseguro que estaremos de volta em 2019, muito melhores e com mudanças já planejadas.