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Eleições 2018. PMDB perdeu o maior número de deputados



Pouco mais de uma semana após o início da chamada janela partidária – período em que os deputados podem trocar de partido sem risco de perder o mandato –, ao menos 27 parlamentares confirmaram mudança de legenda até a última sexta-feira (16), de acordo com levantamento do Congresso em Foco. Outros nomes ainda avaliam o seu futuro político e mantêm reserva sobre as negociações em andamento.


O PSL, nova sigla de Jair Bolsonaro (RJ), foi o que mais cresceu até o momento: sete filiações já estão confirmadas e uma em fase final de negociação. Esse é o caso do deputado Major Olímpio (SP), que acerta os últimos detalhes de sua saída do Solidariedade.

Já o MDB, do presidente Michel Temer, é o que acumula mais baixas até aqui: sete desfiliações e nenhum ingresso até o momento. Dessas, cinco são de deputados do Rio de Janeiro, que abandonaram a sigla em meio ao desgaste provocado pelas condenações do ex-governador Sérgio Cabral, pelas denúncias contra o governador Luiz Fernando Pezão e pela grave crise financeira que atinge as contas do estado.

Impulsionados pela debandada no MDB, os parlamentares fluminenses são os que mais migraram até agora: oito dos 46 integrantes da bancada se refugiaram em nova filiação partidária nos últimos dias.


O deputado Rodrigo Pacheco (MG), que presidiu a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e conduziu o encaminhamento das duas denúncias criminais contra o presidente Michel Temer em 2017, também trocou o MDB pelo DEM. Enquanto os emedebistas articulam a reedição da aliança com o governador Fernando Pimentel (PT-MG), Pacheco planeja sua candidatura ao governo de Minas Gerais, sonho que deve viabilizar pelo Democratas.

“Infelizmente, prevaleceram outras forças do partido que levarão à reedição da equivocada aliança com o PT na eleição deste ano”, justificou o deputado ao anunciar sua saída do MDB. O líder do partido na Câmara, Baleia Rossi (SP), acredita que o partido conseguirá reequilibrar o jogo, trazendo até dez novos filiados até o fim da janela partidária.

Pela legislação eleitoral, de 8 de março a 6 de abril, deputados podem sair das legendas pelas quais foram eleitos para se filiar a outras siglas sem correr o risco de ter o mandato reivindicado na Justiça por infidelidade partidária. A brecha legislativa, criada para contemplar as pretensões dos políticos em ano eleitoral, deu início a um “leilão” de parlamentares na Câmara.


Os lances vão desde promessas de financiamento do partido e tempo no horário eleitoral para as campanhas a espaço dentro das legendas, como comando de diretórios e cargos nas executivas partidárias. Em meio a essas negociações, alguns deputados ainda mantêm o clima de mistério, conversam com um e outro partido político, mas postergam a definição de seu futuro. PTB e PR, por exemplo, chegam a oferecer R$ 2,5 milhões de repasses dos fundos eleitoral e partidário aos deputados para financiar a campanha dos atuais e dos novos deputados. O valor corresponde ao teto do gasto de um postulante a esse mandato.

Presente ao ato de filiação de Bolsonaro, o deputado Mandetta (MS) chegou a ser anunciado como um dos novos nomes do PSL. Mas o deputado diz que não deixou nem deixará o DEM. “Meu único partido na vida foi o DEM e continuo muito feliz aqui”, diz.

O PP ganhou dois nomes desde a abertura da janela partidária: o deputado Marinaldo Rosendo (PE), que deixou o PSB, e o ministro da Cidades, Alexandre Baldy. O líder da bancada, Arthur Lira (AL), não quis revelar outros nomes em negociação para entrar ou sair do partido, mas espera ter entre 8 e 10 novas filiações até dia 7 de abril.


Desde o início da legislatura, o DEM foi a bancada que mais cresceu. Em 2015, o partido tinha 21 deputados. De lá pra cá, somou 17 novos nomes e tem atualmente 38. Nesta semana, o número deve bater os 40, com a filiação de Pacheco e Alexandre Serfiotis (RJ). O relator da reforma da Previdência, Arthur Oliveira Maia (BA) também deve deixar o PPS e se filiar ao DEM nas próximas semanas.

O PPS pode ganhar outros deputados, entretanto. O líder do partido na Casa, Alex Manente (SP) afirmou que a sigla espera ter entre 14 e 15 deputados ao fim da janela – atualmente a sigla tem nove – e admite conversas com a ala mais jovem do PSDB, que no ano passado ganhou a alcunha de “cabeças pretas”. Os nomes de Daniel Coelho (PE) e Pedro Cunha Lima (PB) são ventilados.

Coelho também admite conversar com o PPS, uma vez que os movimentos de renovação política dos quais é próximo, como o Livres e o RenovaBR, se aproximaram da sigla recentemente e devem refundar o partido como “Movimento23”. Porém, o tucano não crava uma mudança de casa.