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Bahia: candidatos denunciam supostas irregularidades no concurso para Polícia Civil





Candidatos que fizeram o concurso da Polícia Civil, em Salvador, denunciaram ao Ministério Público da Bahia (MP-BA) nesta quarta-feira (25) supostas irregularidades ocorridas durante a aplicação das provas, no último domingo (22). O G1 Bahia conversou com alguns candidatos que fizeram a prova. Eles afirmam que vários pontos do edital foram descumpridos e ainda dizem que um grupo teria tido acesso a um gabarito antes mesmo de chegar ao local de provas. 

O MP-BA confirmou ao G1 o recebimento da denúncia e disse que fará a distribuição para algum promotor do órgão, para que possa iniciar a apuração do ocorrido. 

Os candidatos criaram, ao menos, dois grupos em um aplicativo de conversa para falar sobre as supostas irregularidades que constataram. 

Eles citam uso de celulares por candidatos em consequência de falha na fiscalização durante as provas, dizem que algumas pessoas saíram da sala levando os cadernos de questões, o que era proibido, e ainda relatam que um grupo de candidatos de Juazeiro, que veio para Salvador para participar do concurso, chegou a ter acesso a um gabarito antes mesmo do início das provas. 


Nos grupos, fotos que comprovariam irregularidades foram compartilhadas. Em uma delas, uma pessoa aparece usando um celular enquanto supostamente respondia as questões numa sala de aula. "Gente, a fiscal da minha sala vacilou e deixou saírem com a prova! Bichinha ficou nervosa", postou uma pessoa em um dos grupos.

Um jovem que saiu de Vitória da Conquista, no sudoeste da Bahia, para fazer a prova na capital baiana, e que preferiu não se identificar, relatou ao G1 que presenciou diversas irregularidades. Ele fez o concurso para tentar conseguir uma das vagas para investigador. 

"Em algumas salas, só tinha um fiscal para cuidar de 30 ou 40 pessoas. Além disso, o fiscal saía da sala e deixava os candidatos sozinhos. Em um determinado momento, fui ao banheiro e tinham várias pessoas lá dentro, vários candidatos, conversando entre si e nada era feito pela fiscalização. O fiscal se mostrou inerte ao que estava acontecendo. Em seguida, quando voltei para a sala, um fiscal passou perguntando quem estava com celular e um rapaz levantou o braço, sendo que eles deveriam ter recolhido os celulares antes de a prova começar. Isso seria passível de eliminação, mas não ocorreu nada", destacou. 


O candidato ainda relatou ao G1 que, apesar de constar no edital que era proibido sair da sala, ao final da prova, levando cadernos de questões, muitas pessoas desobedeceram a regra. 

"Esse aviso também constava na própria folha de respostas. Dizia que todos os cadernos entregues deveriam ser devolvidos e que a gente só poderia levar o rascunho. Mas várias pessoas saíram com os cadernos de questões". 

Outra irregularidade apontada por candidatos ouvidos pelo G1 foi o não recolhimento das digitais dos candidatos. "No verso da folha de respostas, tinham dois campos pra serem colocadas as digitais dos candidatos, que deveriam ter sido recolhidas antes da prova, mas ninguém fez isso", destacou. 


Outra pessoa ouvida pelo G1 diz que o celular de um candidato que estava na mesma sala que ela chegou a tocar durante a prova. "Na minha sala, a irregularidade que teve foi o celular de um candidato ter tocado durante a prova. Ele deveria ter sido eliminado, por não ter guardado o aparelho, mas a única coisa que fizeram foi entregar uma sacola para que ele pudesse guardar. Também teve caso de gente que foi ao banheiro e não foi submetido ao detector de metais, sendo que poderiam ter saído com celular", disse o candidato, que também se inscreveu para concorrer ao cargo de investigador.

"Fora isso, a gente ficou sabendo que uma galera que veio de Juazeiro para Salvador de ônibus estava com um gabarito antes do início da prova. Não sei como conseguiram, mas uma foto também foi compartilhada depois e era realmente o gabarito da prova. Outras pessoas postaram fotos com o caderno de provas em casa, o que também não poderia acontecer", disse o candidato, que também preferiu ficar sob anonimato. Ele fez a prova em uma faculdade particular que fica no bairro do Comércio. 


"É uma situação que acaba tirando a credibilidade de quem realizou o concurso. É algo que todo mundo visa, se prepara, gasta dinheiro com materiais para se preparar bem. Comprei material de estudo para o concurso da Polícia Civil, me dediquei para ele desde o final de 2017 e, agora, quando chega na hora da prova a gente vês essa desorganização. É triste", destaca. 

A Fundação Vunesp, responsável pela organização do concurso, disse em nota que, em relação às informações veiculadas nas redes sociais, acerca de supostas ocorrências no concurso, a aplicação das provas transcorreu dentro da normalidade esperada e sem intercorrências que comprometessem a lisura do certame. 

"Não obstante, informamos que todo o material das provas está em trânsito e deverá chegar à Fundação Vunesp até na próxima sexta-feira (dia 27/4), ocasião em que será minuciosamente avaliado, como de praxe. Tomaremos todas as providências para garantir a lisura do concurso e cumprir à risca o que está previsto em edital. Caso seja verificado qualquer descumprimento editalício, os envolvidos serão excluídos do certame”, diz a nota da Vunesp. 

O G1 também entrou em contato com a Secretaria da Administração (Saeb), que promove o concurso, e aguarda um posicionamento do órgão sobre o caso.

  G1 Bahia