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Cai o número de famílias baianas endividadas





Pelo menos 434 mil famílias estão endividadas na Bahia. De acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), apurada pela Fecomércio-BA e Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) , o percentual de famílias com dívidas ou contas em atraso registrou queda de 9 pontos percentuais no estado, passando de 56,6%, em abril do ano passado, para 47,3% neste mês.

Os dados da Peic de abril mostram que o cartão de crédito foi apontado por 86% das famílias como a principal causa dos débitos. Em segundo lugar estão os carnês, com 8,1% e, em terceira posição, o crédito pessoal com 8,0%. Mas também aparecem na lista as dívidas com cheque especial (4,3%), financiamento de casa (1,6%) e de carro (2,5%).

A analista de mídias sociais F.O , de 31 anos, tem três cartões de crédito. Mês passado ela liquidou a dívida de dois deles, mas o débito de um vem se arrastando há alguns meses. Para evitar o parcelamento, ela conta que paga sempre um pouco a mais do que o valor mínimo da fatura, apenas para amortizar a dívida. 


Contudo, não consegue extinguir o débito, já que no mês seguinte recebe o saldo financiado da fatura anterior, acrescido de juros, compras parceladas e das novas compras que, inevitavelmente, faz ao longo do mês. “Acabou meu dinheiro, eu uso cartão de crédito. Por isso nunca paro de pagar” , revelou F.O, salientando que o valor da fatura sempre gira em torno de R$1,5 mil todo mês.

F.O afirmou que pretende pagar tudo assim que puder, mas a prioridade é o cheque especial, no qual deve quase R$5 mil. “Virou uma bola de neve, porque os juros são altos. Acho que quando chegar ao limite o banco vai me chamar para parcelar”, contou.

No vermelho

A analista de redes sociais não está sozinha nessa luta para sair do vermelho. Dentre o total de entrevistados na pesquisa, 5,8% das famílias declararam não ter condições de pagar suas contas ou dívidas em atraso, ou seja, que permaneceriam inadimplentes. Conforme o levantamento, o tempo médio de atraso para o pagamento de dívidas foi de 62,4 dias. 


Na avaliação do economista Fábio Pina, consultor econômico da Fecomércio-BA, a queda no percentual de endividados tem aspectos positivos, ligados ao fato de que muitas famílias recuperaram os empregos, e negativos no que tange a uma restrição no mercado de crédito.

“A tendência, quando você está voltando a crescer, é aumentar o endividamento, não diminuir. É uma visão errada acreditar que o aumento do endividamento para a família é ruim. Se o endividamento for num patamar razoável, isso é algo positivo. E nesse momento ela (a família) está encontrando dificuldade para conseguir financiador”, pontuou Pina. 

  Tribuna da Bahia