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Boato inventa "vírus mortal" de gripe no Brasil





Mal mudou o tempo e começou a campanha nacional de vacinação contra a gripe, áudios e mensagens sobre vírus que não seriam protegidos pela vacina passaram a circular pela internet e redes sociais.

Em um áudio compartilhado em grupos no WhatsApp, uma mulher alerta para o suposto “vírus mortal” da gripe “H2N3”, que já teria sido responsável pela morte de pessoas no Brasil. Segundo a autora da mensagem, “a diferença dele [H2N3] para o H1N1 é que [no primeiro] o paciente fica com insuficiência respiratória muito forte e vem a óbito em no máximo três dias”. “Aqui em Goiânia já temos três casos confirmados e 72 óbitos aguardando confirmação”, diz.

O Ministério da Saúde desmente o áudio e informa que o vírus da gripe H2N3 não circula no Brasil. E mais, o vírus teria sido identificado apenas em porcos nos Estados Unidos há alguns anos e, de acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), não há registro de surto entre humanos em qualquer país do mundo.


“Essa é uma informação inverídica que está circulando nas mídias sociais”, informa a pasta em nota. Os vírus que circulam no Brasil podem matar, mas em casos raros e mais presentes entre pessoas dos grupos de risco, como idosos e pacientes com deficiência na imunidade. Até abril, foram 41 mortes registradas no país.

Atualmente, circulam no Brasil três tipos de vírus para a gripe: o influenza A/H3N2, o A/H1N1 e o influenza B, que não tem subtipos. A vacina contra gripe dada desde abril na rede pública protege contra esses três tipos, que não são inéditos e já circularam por aqui em anos anteriores.

O boato sobre o "novo vírus mortal" detonou o alerta até mesmo da Organização Pan-Americana da Saúde, ligada à OMS, que, em um informe, se diz “preocupada com a série de boatos sobre gripe (influenza) circulando em áudios e textos em redes sociais ou aplicativos de mensagens no Brasil”.




H2N3 ou H3N2?

O vírus H2N3 (citado no áudio) até existe, e foi identificado pela primeira vez em 2006 nos Estados Unidos. Até agora, no entanto, a transmissão natural foi detectada apenas entre porcos. Em laboratório, os cientistas identificaram que há possibilidade de contágio de outras espécies.

A OMS, no entanto, garante que até agora não há registro de surto entre humanos no Brasil ou em qualquer outro país.

Algumas vezes, o H2N3 é confundido com o H3N2, outro tipo de vírus da gripe. O H3N2 existe entre humanos e não é novidade entre nós brasileiros, já que tem circulado com mais força no país pelo menos desde 2015.

Segundo o virologista Fernando Motta, pesquisador do Laboratório de Vírus Respiratórios da Fiocruz, não há evidências de que o H3N2 seja mais agressivo do que outras mutações do influenza.

Em outro áudio divulgado nas redes sociais, um homem diz que as autoridades não estariam divulgando o número de mortes associado ao vírus H1N1.


Na mensagem, ele diz que no Hospital da Criança (sem especificar o nome e a localização da instituição), morreram “três crianças com suspeita de H1N1”. Após os atendimentos, o médico responsável teria sido “entubado e faleceu”. O homem diz ainda que “a enfermeira que estava com ele no plantão foi entubada hoje e está na UTI em estado grave”.

O autor do áudio não se identifica, além de não informar nome, idade ou instituição em que essas supostas vítimas teriam sido internadas. Desse modo, não é possível confirmar a veracidade dos relatos.

Segundo dados oficiais do Ministério da Saúde, responsável pelo monitoramento da doença em todo o país, foram registrados 116 casos de influenza A/H1N1 em 2018, sendo 16 óbitos –levantamento realizado até 7 de abril. Neste ano, há maior concentração desse subtipo nas regiões Centro-Oeste e Nordeste.


No mesmo período, a pasta identificou 71 casos e 12 óbitos causados por influenza A/H3N2. Outros 52 casos e seis óbitos foram registrados por influenza B, além de 46 casos e sete óbitos por influenza A não subtipado. Nesses casos, houve mais ocorrências no Sudeste do país.

Do total de 41 mortes por influenza em 2018, 34 (82,9%) eram de indivíduos do grupo de risco: idosos, obesos, pessoas com doenças cardíacas, renais ou respiratórias, entre outros fatores.

Em 2017, foram registrados 2.691 casos e 498 óbitos por influenza. 


Como se prevenir

O vírus influenza causa uma infecção viral aguda no sistema respiratório do paciente. De fácil transmissão, uma pessoa pode contraí-lo várias vezes ao longo da vida.

Desde meados de abril, a vacina contra o vírus influenza é oferecida gratuitamente para idosos acima de 60 anos, crianças entre seis meses e cinco anos, gestantes, mulheres que deram à luz a menos de 45 dias, portadores de doenças crônicas, trabalhadores de saúde, professores da rede pública e particular e indígenas.

Nesses casos, basta procurar o posto de saúde mais próximo à sua casa para ser vacinado.

A cada epidemia, a OMS coleta informações sobre a circulação do vírus da gripe em todos os países. A partir desses dados, a organização e as instituições que produzem as vacinas (como a Fiocruz, no Brasil) definem qual é a composição mais adequada, levando em conta as infecções mais recorrentes e as mutações do vírus. Por isso é tão importante reaplicar a vacina todos os anos para se manter sempre protegido.


Quem não faz parte do público-alvo da campanha pode tomar a vacina (desde que não haja contraindicação médica anterior) paga em clínicas particulares especializadas.

De modo geral, para prevenir a transmissão da gripe, recomenda-se lavar constantemente as mãos com água e sabão, cobrir a boca ao tossir, evitar o contato com pessoas doentes e grandes aglomerações.

  Portal UOL