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Igaporã: "A Prefeitura possui uma estrutura superior à sua capacidade de pagamento", afirma o Prefeito José Suly





Foto: Facebook
O prefeito de Igaporã, José Suly Fagundes Netto (PTN), concedeu entrevista exclusiva à Rádio Igaporã, por telefone, onde rebateu críticas que tem recebido na cidade e explicou, detalhadamente, a situação financeira do Município.

Para Suly, a "Prefeitura Municipal possui uma estrutura maior do que a sua capacidade de pagamento". No entanto, não há como reduzir a folha de pessoal sem provocar a interrupção de importantes programas sociais, prejudicando profundamente a população. Ele detalhou que há uma queda média mensal de 300 mil reais nos cofres da prefeitura, em relação à administração anterior. 

Suly admitiu que por conta de uma divulgação não eficiente, a sua gestão recebe crítica pejorativas acima das reais deficiências existentes. Para isso, o gestor falou das obras finalizadas e dos recursos empenhados na ordem de 19 milhões de reais, com uma parte já liberada para início dos serviços na cidade e zona rural.

O Prefeito comentou, ainda, sobre um problema recente com o comércio local, que atribuiu aos atrasos de salários dos servidores municipais as dificuldades em saldar os seus compromissos com os fornecedores.

Acompanhe a entrevista completa.

Prefeito Suly, há uma crescente crítica à administração municipal sobre diversos problemas apontados pela população de Igaporã, desde atraso nos salários até ineficiência na execução de obras públicas. Em seu ponto de vista, qual a relação entre o teor das críticas e os reais problemas da Administração Municipal?

Nós não fazemos um mandato de excelência, no entanto, dentro das nossas possibilidades e em relação aos municípios vizinhos, nós não vamos mal diante da forte crise que enfrentamos. Nós estamos com todos os serviços funcionando e já conseguimos finalizar cinco das seis obras que recebemos das administrações anteriores, no espaço de um ano e três meses.

Na realidade, parte das críticas que nossa reportagem identificou se refere a uma suposta falta de obras planejadas por sua administração.

Isso não é verdade. Nós já obtivemos importantes conquistas em nosso mandato. Conseguimos recursos empenhados na ordem de 19 milhões de reais, sendo que alguns já se tornaram realidade como a obra de recuperação e finalização do esgotamento sanitário. Outra conquista importante é a construção do colégio de 12 salas no Alto da Usina. Devemos citar, ainda, a aprovação ao nosso projeto de asfaltamento dos bairros populares, que já nos permite licitar a obra. Começamos a execução da pavimentação da comunidade rural de Altamira. Nesse caso, é preciso salientar que os recursos foram alocados em 2015, no entanto, nunca foram utilizados. Nós conseguimos reativar todo o processo e já estamos com o dinheiro em conta e a obra iniciada, por intermédio da Codevasf.

Acho importante citar, também, a área de Cultura e Turismo, devido à quantidade de programas inéditos funcionando, em um número bem superior às administrações anteriores. É preciso observar que essas administrações possuíam o importante apoio financeiro da empresa Renova Energia. Nós não contamos com qualquer apoio externo. Multiplicamos o número de programas da Secretaria de Cultura e Turismo, além de ampliarmos os programas que já existiam, somente com recursos próprios, no quadro de extrema dificuldade financeira. Gostaria de citar ainda, sobre o mesmo setor, que inserimos, pela primeira vez, Igaporã oficialmente no Mapa do Turismo Brasileiro, o que permite receber apoio financeiro e logístico dos órgãos federais e estaduais.


Nas últimas semanas, presenciamos representantes do comércio local culparem a Prefeitura, pelas dificuldades enfrentadas no que diz respeito à quitação de compromissos com os fornecedores. Para esses comerciantes, a causa do problema seria os atrasos de salários dos servidores municipais?

Eu não admito essa culpa. Se você observar no comércio de qualquer município da região verá que há queda nas vendas e, consequentemente, queda na arrecadação municipal. Nós assistimos, todo os dias, notícias que mostram a economia brasileira sem crescimento. A situação de municípios como Igaporã é grave por conta desse cenário. Aí, se propagou que devíamos três meses de salários ao funcionalismo municipal... nunca aconteceu isso na gestão. Nós temos 42% da folha de pagamento com um mês de atraso, referentes aos servidores contratados. Nunca houve atrasos entre os concursados. Nós, da Administração Municipal, nos incomodamos muito com essa situação.

Nos culparam pelos comerciantes não estarem recebendo os débitos. Disseram que a causa é o atraso nos salários. Isso não é verdade. Para esclarecer a situação, nós decidimos publicar todos os meses o pagamento dos salários.

Nós sentimos pela situação dos contratados, pois estamos enfrentando dificuldades terríveis para manter a máquina administrativa funcionando. A estrutura administrativa da prefeitura, hoje, é maior do que o que ela arrecada. Infelizmente, as pessoas ficam buscando um culpado. E esse culpado não é a gestão atual. Todo o país está sofrendo com a queda de arrecadação e queda no comércio.


Você poderia nos fornecer números que evidenciem a queda na arrecadação, comparando-se com os períodos anteriores à sua administração?

No primeiro mês da nossa gestão, nós ainda recebemos recursos da Renova Energia. A partir do segundo mês, não recebemos nada: não temos os empregos, não temos os impostos e enfrentamos o desaquecimento da economia do município que prejudica diretamente o comércio e a geração de emprego e renda. Portanto, não somos nós os culpados pela saída das empresas. Mesmo com tantos problemas, só temos um mês de atraso nos salários dos servidores comissionados e parte dos contratados.

Estabelecendo uma comparação com períodos anteriores à nossa administração, sofremos uma queda média mensal de 300 mil reais nos cofres da Prefeitura. Se pegarmos toda a arrecadação anual, veremos que em 2016 pra 2017, tivemos uma queda de 3 milhões e 712 mil ao ano, cerca de 300 mil/mês. E já constatamos que essa será a tendência para 2018. Agora, imagine a dificuldade criada para um município pobre como Igaporã.


Diante do quadro financeiro exposto por você, não seria o momento de planejar novas demissões para reduzir a folha de pagamento? A Administração planeja em adotar, novamente, essa medida?

Precisamos fazer novas demissões. Mas, não faremos isso sem um estudo e ampla discussão com a sociedade. Hoje temos programas que para continuar funcionando exigem a manutenção da estrutura física, de pessoal e de equipamentos. Aí surge nossa dificuldade de reduzir a folha. Na educação não conseguimos sustentar o funcionamento somente com concursados. É preciso utilizar servidores contratados. Na saúde, os programas tipo PSFs, CAPs e SAMU – em alguns eu considero até um exagero de pessoal, mas tá no programa... - se eu retirar mais servidores poderemos perder o programa. Nós já conseguimos reduzir 400 mil reais na Folha de Pagamento, de 2017 para 2018, seja nos repasses a empresas terceirizadas, ou no pagamento direto a servidores contratados. Mas, ainda não é suficiente porque a arrecadação só cai...

Por conta dessas dificuldades, tenho caminhado muito para pedir providências aos governos estadual e federal para poder estruturar o município com obras necessárias, pois não conseguiremos fazer isso com recursos próprios.