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Governo Bolsonaro será sombrio, ultraconservador e imprevisível, dizem jornais franceses




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Foto: reprodução



Bolsonaro representa uma revolução e preocupa por vários motivos, entre eles as declarações belicosas que tem feito contra a esquerda e o conservadorismo que pretende impor em todos os setores, diz La Croix. Avaliando as propostas de Bolsonaro em várias áreas, o jornal católico mostra que a economia será submetida a um choque liberal, a diplomacia mudará radicalmente para privilegiar o protecionismo e não mais o multilateralismo. No meio ambiente, a ordem será "explorar ao invés de proteger", enquanto o projeto de Bolsonaro para a educação é lutar contra um pretenso marxismo cultural, que teria sido criado para endoutrinar as crianças e jovens brasileiros, uma visão repetida à exaustão durante a campanha.




A liberação do porte de armas inquieta particularmente a publicação defensora de valores cristãos, num país onde os índices de violência são elevadíssimos. Diante de uma possível deriva autoritária, representada pela garantia de impunidade aos policiais, La Croix pondera que parte dessas medidas podem ser barradas pelo Judiciário. "Junto com Bolsonaro quem sobre ao poder no Brasil são os evangélicos pentecostais e seus 80 deputados eleitos", destaca a reportagem, um apoio que foi fundamental para a eleição do ex-militar. Os evangélicos estão na confortável posição de credores de medidas ultraconservadoras que devem ser tomadas pelo novo governo.




"Chanceler delirante"

"Chegamos ao dia dessa posse sombria", anuncia o jornal progressista Libération. "O nostálgico da ditadura assume a presidência do maior país da América Latina, com um governo formado por sete militares, um adepto das teorias do complô [em referência ao chanceler Ernesto Araújo], uma pastora evangélica antiaborto, encarregada dos direitos das mulheres [a advogada Damares Alves], e o juiz Moro, que colocou Lula na prisão", resume Libération.




Quatro ministros recebem perfis do diário: Paulo Guedes, chamado de "czar", em função dos superpoderes que terá na área econômica; Sérgio Moro, apresentado como "o senhor limpeza", que "extrapolou limites da legalidade" à frente da Lava Jato; Ernesto Araújo, o "iluminado", um chanceler "inexperiente e de ideias delirantes"; e o general Hamilton Mourão, "a voz da razão", que repreende Bolsonaro publicamente quando ele sugere se livrar da China ou transferir a embaixada do Brasil de Tel Aviv para Jerusalém.




Les Echos relata que Bolsonaro multiplicou nos últimos dias anúncios radicais. Ele deu instruções precisas para seus 22 ministros, relata o diário. Mas a posse contará com a presença de apenas 12 chefes de Estado e de governo, a maioria conservadores, um símbolo do isolamento do presidente eleito. "A França não envia nenhum representante", destaca o maior jornal econômico francês. Aliás, os países da União Europeia estarão pouco representados em Brasília, assinala Les Echos.

  Rádio França Internacional  



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