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Saída de cena de Jean Wyllys é momento de luto para a democracia no Brasil



Saída de cena de Jean Wyllys é momento de luto para a democracia no Brasil
Foto: reprodução


A desistência do deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) em permanecer com o mandato na Câmara é um episódio esquecível na democracia recente brasileira. Concordemos ou não com as causas defendidas por Jean, a voz dele representa alguns milhares de eleitores e também não eleitores que se identificam com a agenda defendida pelo parlamentar. E essas vozes ficariam com sub-representação, especialmente se o suplente dele não fosse o vereador David Miranda, que se apresenta como “negro, gay e favelado”. 



O baiano Jean Wyllys era uma figura controversa por natureza. Mas isso não o impedia de defender questões que considerava justas. Conhecido do grande público após vencer o Big Brother Brasil, o deputado federal tomaria posse no próximo dia 1º para o terceiro mandato. Entretanto, não suportou a pressão em torno do posicionamento a favor de temas caros a minorias, como a população LGBT+, e contra o presidente da República Jair Bolsonaro. Colegas de Câmara dos Deputados, Jean e Jair não se bicam e fizeram enfrentamentos públicos diversas vezes. Bolsonaro saiu vencedor das urnas e Jean preferiu se recolher ao invés de enfrentar mais preconceito. 



A morte da vereadora Marielle Franco talvez tenha sido o episódio mais nefasto de uma guerrilha vivenciada entre militantes e milicianos no Rio de Janeiro. Jean, tal qual Marcelo Freixo, era uma figura destacável nesse universo por justamente se posicionar contrário ao domínio desse Estado paralelo na capital fluminense. Segundo o próprio parlamentar, após o ataque à vereadora, as ameaças a ele se intensificaram. E depois da confirmação de Bolsonaro no Planalto, a situação teria piorado. 



A decisão de Jean também perpassa pela descoberta de uma ligação, ainda que primária, entre o senador eleito Flávio Bolsonaro e a milícia carioca. O deputado estadual do Rio de Janeiro nomeou no gabinete a mãe e a esposa de um dos chefes do Escritório do Crime, que teria participado, inclusive, da execução de Marielle Franco. Como adversário público do clã Bolsonaro e sabendo dessa suspeita de ligação do primeiro-filho com a milícia, como se sentir seguro no Brasil? 



Nas redes sociais, os fãs do presidente se regozijam com a saída de Jean da cena política. Para eles, o deputado federal cumpre a “promessa” de deixar o país caso Bolsonaro fosse eleito presidente da República. Já para pessoas que reconhecem o papel de vozes diversas no parlamento, o adeus de Jean é um momento de luto, pois morre um pouco da democracia. Afinal, em que lugar vivemos para que um deputado federal se sinta inseguro para ocupar o espaço que lhe foi destinado pelo voto?

Fernando Duarte / Bahia Notícias



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