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Brumadinho: esquecimento um mês depois da tragédia








No dia 25 de fevereiro completou um mês do crime da mineração em Brumadinho. Foram confirmadas 179 mortes. Mas ainda restam 131 desaparecidos na lama espalhada pelo rompimento da barragem de rejeitos da Vale.
A Folha conta como alguns familiares tem lidado com a situação. “Todas as famílias merecem fechar esse ciclo. Fico pensando no que uma tragédia dessas faz com a gente. Antes, eu queria ela viva de qualquer jeito. Agora, a gente só quer enterrar o pedaço que for”, desabafa Natália de Oliveira, que perdeu a irmã Lecilda que trabalhava na mineradora há 30 anos.



Uma especialista, a psicóloga Maria Helena Franco, afirma que as pessoas estão sofrendo um “luto ambíguo”, em que a ambiguidade da situação dificulta que se retome a vida. “Os rituais são importantes porque eles marcam a realidade. Eles organizam a pessoa e dão concretude. Não havendo um corpo, o ritual conhecido, habitual, fica tudo em suspenso”, diz.
Já a BBC Brasil, que também abordou o sofrimento das famílias dos desaparecidos, caracteriza sua situação como “limbo jurídico”, na medida em que sem certidão de óbito, não é possível dar entrada em processos de pensão, seguro de vida, etc. 



Em entrevista ao Deutsche Welle, o prefeito de Brumadinho Avimar de Melo Barcelos (PV) afirmou que a cidade está “um pouco” abandonada pelos governos estadual e federal. A quantidade de bombeiros nas buscas diminuiu. “Isso está prejudicando muito os familiares das vítimas. Tem muitas vítimas embaixo da lama, os bombeiros estão indo embora e as pessoas podem não ser encontradas”, disse. 
No dia 24 de fevereiro, um protesto reuniu centenas de pessoas na cidade. Moradores, ambientalistas e artistas se mobilizaram para que o crime não caia no esquecimento. Tarefa difícil, se levarmos em conta a fraquíssima cobertura da imprensa sobre um mês do rompimento. 

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