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Brasil conquista ouro inédito em olimpíada feminina de matemática



Aluna escreve em lousa



Regressou sexta-feira (12) ao Brasil nossa delegação na Olimpíada Europeia Feminina de Matemática (EGMO, na sigla em inglês), realizada em Kiev, Ucrânia, de 7 a 13 de abril. Ana Beatriz Studart, 17, do Ceará, Bruna Nakamura, 16, de São Paulo, Maria Clara Werneck, 17, do Rio de Janeiro, e Mariana Groff, 17, do Rio Grande do Sul —lideradas por Deborah Alves (SP) e Luize Vianna (RJ)— trouxeram uma premiação inédita: um ouro (Mariana, 14ª posição entre 196 competidoras) e dois bronzes (Ana Beatriz e Maria Clara). O Brasil ficou em 20º entre 49 países.
A EGMO é realizada desde 2012 em diferentes países europeus, e o Brasil participa desde 2017, por iniciativa do Impa (Instituto de Matemática Pura e Aplicada) e da Sociedade Brasileira de Matemática. Este ano também conta com apoio das escolas das alunas. Até o momento, já somamos 9 medalhas e uma menção honrosa.


Competições abrangentes como a Obmep (Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas) contam com presença equilibrada de meninas e meninos, inclusive na segunda fase, em que participam apenas os 5% melhores de cada escola.
Mas esse não é o caso de certames com caráter mais competitivo, como a OBM (Olimpíada Brasileira de Matemática) ou a IMO (Olimpíada Internacional de Matemática). Na IMO 2017, no Rio de Janeiro, as garotas foram apenas 10%. Isso levou o Impa a criar uma premiação especial Impa Olympic Girls Award para aquelas que mais contribuíssem para suas equipes, a qual se tornou permanente na IMO a partir daí.


Na própria Obmep, a presença feminina entre os premiados é minoritária e, pior ainda, diminui com a idade (https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2016/04/1763837- desempenho-das-meninas-na-area-de-exatas-cai-com-a-idade.shtml). Em 2018, as meninas foram 30% dos medalhistas no ensino fundamental, mas apenas 20% no ensino médio.
Este fenômeno merece um estudo técnico, ainda não realizado, para entender suas causas. Mas parece claro que fatores socioculturais — pouco incentivo das famílias e professores(as), barreiras culturais, carência de casos-modelo — se combinam para perpetuar o disparate de que “matemática não é coisa de mulher”.


Olimpíadas femininas como a EGMO ajudam a combater esses efeitos, proporcionando a meninas talentosas incentivos adicionais e a oportunidade de se tornarem modelos inspiradores para muitas outras. Nossa medalhista de ouro, Mariana, três vezes premiada na EGMO (e muitas mais em outras olimpíadas do conhecimento), já pertence a essa ilustre galeria.
No mesmo espírito, o Impa está lançando a olimpíada brasileira feminina de matemática, intitulada Torneio Meninas na Matemática (TM ), iniciativa de um grupo de medalhistas olímpicas liderado pela cearense Ana Karoline Borges, estudante do Instituto Militar de Engenharia (RJ).
O TM será realizado pela primeira vez no segundo semestre de 2019 e passará a integrar o processo seletivo para a própria EGMO.

Marcelo Viana / Folha de S. Paulo



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