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Especialista aponta preconceito e revanche de Bolsonaro contra governadores do Nordeste





Por: Guilherme Reis / Tribuna da Bahia

As recentes declarações depreciativas do presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), contra o Nordeste são frutos de preconceito e também trazem motivações políticas. Segundo o cientista político e professor da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Joviniano Neto, a postura do gestor tornou-se ainda mais agressiva após a criação do consórcio formado pelos governadores da região.



“Há uma posição de preconceito reiterado. Ele usou o nome ‘paraíba’, que no Rio de Janeiro se usa para nordestino. O preconceito vem fortalecido já nas eleições anteriores, quando Dilma venceu e tentou se culpar o Nordeste, que é visto como lugar de pessoas pobres, ignorantes, dependentes de Bolsa Família. De povo mal instruído, dependente do Estado”, avaliou, em entrevista ao Política Livre. “Isso é reforçado quando o Nordeste foi a região onde ele [Bolsonaro] perdeu. Reforçado por uma posição liberal individualista exacerbada, e responsabiliza o Nordeste quando querem inclusive diminuir o estado, liberando as costas principalmente dos empresários”, acrescentou. De acordo com Joviniano, outra intenção de Bolsonaro é falar aos eleitores fiéis.

O professor também criticou uma fala do presidente, que nesta terça-feira (06) condicionou o repasse de recursos ao Nordeste ao reconhecimento dos governadores. “O que eu quero desses respectivos governadores: não vou negar nada para esses Estados, mas se eles quiserem realmente que isso tudo seja atendido, eles vão ter que falar que estão trabalhando com o presidente Jair Bolsonaro. Caso contrário, eu não vou ter conversas com eles, vamos divulgar obras junto a prefeituras”, disse após inaugurar uma usina de energia em Sobradinho (BA).



Para Joviniano, Bolsonaro “distorce duas coisas: sempre que se faz uma obra, é obrigado colocar ‘governo federal’. Mas não se pode colocar ‘governo Bolsonaro’. E a segunda coisa é que ele quer que haja menção específica do governador de que está apoiando o governo Bolsonaro. É uma visão personalista, errada inclusive juridicamente. É uma ideia de concentração de poder e rejeição de diversidade. Muitas obras são de emendas de bancada, entram no orçamento”.

Pronto para tachar qualquer opositor de comunista, Bolsonaro polemizou no mês passado ao chamar a região de “Paraíba” na tentativa de atingir o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB). “Daqueles governadores de ‘paraíba’, o pior é o do Maranhão; tem que ter nada com esse cara”, disse, gerando reações dos gestores. “Como conheço a Constituição e as leis do Brasil, irei continuar a dialogar respeitosamente com as autoridades do governo federal e a colaborar administrativamente no que for possível. Eu respeito os princípios da legalidade e impessoalidade (artigo 37 da Constituição)”, disse Dino em nota.


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