loading...

Breaking News

Caos! Três milhões de brasileiros estão sem médicos desde saída de cubanos





Município de Campo Alegre está sem médico desde que os cubanos do programa federal Mais Médicos deixaram a cidade - Beto Macário/UOL

Por: UOL

Nos últimos seis meses, a cobertura do programa Estratégia de Saúde da Família (ESF) vem caindo. Segundo dados do Ministério da Saúde, 3 milhões de pessoas deixaram de contar com assistência entre novembro passado e maio deste ano.




Os médicos cubanos deixaram o Brasil em novembro de 2018, após decisão do governo da ilha caribenha de romper o contrato por conta de declarações de Jair Bolsonaro de que não iria pagar mais valores a Cuba.

Nem mesmo os editais recém-lançados pelo programa Mais Médicos têm conseguido suprir a carência na região, porque parte dos profissionais não estão assumindo as vagas em aberto.

A secretária da Saúde de Campo Alegre (AL), Tamiris dos Santos, afirma que na época dos cubanos conseguia manter todas as equipes da Estratégia de Saúde da Família funcionando e com toda a rede de profissionais (médico, enfermeiro, dentista, agente de saúde e auxiliar de enfermagem).




Ela afirma que muitos profissionais se inscrevem, mas não aparecem para trabalhar. "Fomos contemplados nesse último edital do Mais Médicos para preencher três vagas, mas os profissionais não se apresentaram", diz.

Na cidade, um médico ganha R$ 13.620 por quatro dias de trabalho ou R$ 15 mil por quatro dias, um deles com jornada estendida até as 19h, ou cinco dias trabalhados.

"Pagamos um salário considerável e compatível com a região, com vencimentos em dia. Mas exigimos o cumprimento de carga horária e metas, o que talvez seja um dos motivos pelos quais muitos não tenham interesse e aceitem a proposta de outro lugares que pagam mais e cobram menos dias", afirma.




"Nós temos hoje toda estrutura, remédios. Nosso único problema é não ter médicos", diz a coordenadora da Atenção Básica de Saúde de Campo Alegre, Renata Braga.

Baixos repasses e mais dificuldades pelo país

Se para uma cidade perto da capital e com boa estrutura já existe dificuldade, para locais mais remotos, a missão de achar médicos é ainda mais complicada.

No Amazonas, por exemplo, as prefeituras pagam valores mais altos para conseguir profissionais. "Estamos com muita dificuldade na contratação e fixação de médicos. Pagamos até R$ 20 mil líquidos para clínico para não deixar a população totalmente desassistida", diz o presidente do Cosems (Conselho de Secretários Municipais de Saúde) do estado, Januário Carneiro Neto.




Outro problema citado é o baixo repasse federal aos municípios, que não cobrem nem 30% dos gastos com as equipes. "Uma equipe de saúde da família, no meu município, custa 34,5 mil, sendo R$ 26 mil só do médico. O ministério custeia R$ 10.695, e o Estado não arca com nada. Se formos nesse caminho, iremos à falência", diz.

A situação é parecida em Pernambuco, onde também há carências. "Com a saída dos médicos cubanos, temos grandes dificuldades em preencher as vagas nas cidades do interior com médicos brasileiros, principalmente em regiões remotas", diz Orlando Lima, presidente do Consems do estado.




"Nós, presidentes dos Cosems e diretores do Conasems [Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde], estamos pressionando o ministério a resolver definitivamente a situação dos médicos cubanos que permaneceram no Brasil, até que possam realizar o Revalida e permanecerem definitivamente no país", completa Lima. O presidente do Cosems do Pará, Charles Tocantins, diz que muitas cidades têm dificuldade em contar com um profissional por causa de questões ligadas ao Mais Médicos. "A maioria dos profissionais preferem ficar vinculados como bolsista do governo federal, e aí tem uma burocracia, um tempo longo e uma dificuldade para fixar.

O presidente do Cosems do Pará, Charles Tocantins, diz que muitas cidades têm dificuldade em contar com um profissional por causa de questões ligadas ao Mais Médicos. "A maioria dos profissionais preferem ficar vinculados como bolsista do governo federal, e aí tem uma burocracia, um tempo longo e uma dificuldade para fixar. O ministério tem feito seguidos editais, mas é um processo burocrático e muitos municípios ficam sem médicos."

"Aqui estamos com vários municípios aguardando notícias do ministério", reforça Leopoldina Feitosa, do Cosems do Piauí.

Nenhum comentário

Os comentários publicados não representam o pensamento ou ideologia do Portal Lapa Oeste, sendo de inteira responsabilidade dos seus autores.