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“Eu queria que os soldados do Exército fossem a júri popular”







Por Natalia Viana / Agência Pública

A entrevista acontece cedinho pela manhã, às 7 horas, quando Sérgio Gonçalves de Araújo sai do trabalho de manobrista na zona do sul do Rio de Janeiro. Depois de tantos anos manobrando carros é difícil para esse senhor de 60 anos recém completados, magro e simpático, entender por que nove membros do Exército brasileiro decidiram disparar 257 vezes contra o Ford Ka em que ele estava. Isso aconteceu há exatos cinco meses. Os soldados afirmam ter confundido o carro com outro veículo, semelhante, que havia sido roubado poucos minutos antes. “Acho que eles visaram mais a cor do carro, porque era a mesma cor: branca. Mas todo carro tem uma placa, todo carro tem uma coisa diferente do outro. Um tem insulfilme nas laterais, não tem na frente, tem atrás, e assim vai… Então, eles visaram a cor do carro e o tamanho do carro. Poderia ser um Ford Ka simples, branco. Ford Ka tem dois, tem o sedan e tem o comum. E aí?”.




Nascido em São João de Meriti, Sérgio conheceu a esposa quando eram vizinhos na favela do Muquiço. Foi ali que começou a união que já ultrapassa 35 anos. Anos depois, sua afilhada, que ele chama de filha – a quem criou desde os 7 anos –, conheceu na mesma favela da zona norte do Rio o marido, Evaldo Rosa, fuzilado no dia 7 de abril deste ano. Foi ali também, diante da favela do Muquiço, no bairro de Guadalupe, que o Exército baleou o carro e sua família em plena luz do dia. Duas vezes. Sérgio também estava no carro, no banco do carona, e foi atingido por estilhaços das balas de fuzil. “[Evaldo] foi alvejado, já caiu morto no meu ombro”, recorda.




Nesta entrevista, ele lembra detalhes daquele dia e clama por justiça. Revolta-se com o fato de os nove soldados terem sido postos em liberdade pelo Superior Tribunal Militar, em maio. Por serem das Forças Armadas, os executores respondem pelo crime na justiça militar. “Tem que pagar pelo que fez – pode ser Exército, Marinha, Polícia Militar, pode ser o que for. Isso está crucificando a família. Enquanto eles estão respondendo em liberdade, a família sofre com isso.” (Veja a entrevista completa)

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