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MPT colhe relatos de depressão entre funcionários da Petrobrás, em Salvador





Por: Correio 24 Horas

As histórias ouvidas pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) se multiplicam pelos corredores do prédio onde funciona a Petrobras, em Salvador. Com medo de se identificar, os funcionários da Torre Pituba, que já começou a ser esvaziada, compartilham relatos depois da garantia de que terão seus nomes mantidos em anonimato. Os casos vão de depressão até pessoas que viram suas famílias desmoronando.



“Pela norma interna da empresa, não podemos dar entrevistas sem passar pela gerência, mas entendemos a importância que é as pessoas ficarem sabendo do que realmente está acontecendo com a Petrobras. Que as pessoas entendam o valor que essa empresa tem para o Brasil. A gente tem medo que seja um processo definitivo, de entrega de riquezas mesmo”, relata uma funcionária com 16 anos de casa.

Ela é uma das que vai ser afetada pela liminar concedida na quinta-feira (17), que proíbe a remoção dos prestadores de toda a Bahia para outros estados do país. Caso seja descumprida, a decisão vai gerar uma multa de R$ 300 mil, somada ainda a R$ 30 mil para cada funcionário prejudicado.



A mulher relata que estava com a transferência marcada e viajaria em breve para o Rio de Janeiro. Diz ainda que foi ela quem precisou ligar para outros estados em busca de uma vaga para continuar trabalhando na Petrobras. “Recebi vários nãos. Estou nesse processo, buscando vaga desde junho, e ele só foi concluído agora em setembro”, conta ela, que havia solicitado se mudar apenas no meio do próximo ano, mas foi contatada pela equipe da capital carioca, que solicitou a antecipação para este ano ainda. 

“Tem coisas que a gente não pode negar, para não correr o risco. Estamos expostos e tendo que fazer um movimento que não devia partir do empregado. Isso tinha que vir da empresa, que deveria ter uma política de recolocação de pessoal. Mas não, nós é quem estamos nos submetendo, se quisermos manter o posto de trabalho”, completa ela.



Além das mudanças pessoais, a profissional terá que lidar com a adaptação dos dois filhos pequenos. E o pior: um deles precisa de acompanhamento médico, que há dois anos vem sendo feito por um mesmo profissional. Agora, ela precisará escolher um outro especualista para acompanhar o caso. “Aqui deixo também uma funcionária que está comigo desde que meus filhos nasceram e todo o apoio de minha família, mãe, sogra. Vou sozinha com as crianças e, depois, meu marido vai tentar se transferir”, lamenta. 

Um colega dela, que trabalha na empresa há 11 anos, diz que o clima e a obrigação de transferência o afetou de uma forma que não esperava.

“Mexeu com a minha ferida: a família. Como vou me manter em um relacionamento à distância? Eu me vi sofrendo. Um dia travei e não consegui ir trabalhar, chorei por 30 minutos no estacionamento”, relata.



O funcionário teve que procurar atendimento psicológico e foi diagnosticado com princípio de depressão. Passou, inclusive, a utilizar remédios, num processo que foi desencadeado desde que a notícia das transferências foi oficializada, em setembro. 

“Nunca tinha tido nada parecido. Eu não sabia o que era uma pessoa sofrer, ter depressão. Na minha cabeça isso não acontecia, não me sentia triste e sofrendo, mas hoje eu sei o que é o sofrimento, depressão. Chego a sentir fisicamente a coisa. Ir pro trabalho está sendo penoso, me faz lembrar de tudo, presenciar colegas saindo”, detalha ele. 

A Petrobras alegou "estratégia econômica" como principal motivação da decisão de sair da Bahia. A empresa, inclusive, repetiu a justificativa quando questionada pelo CORREIO sobre a nova liminar.



“A companhia reforça que a desocupação do edifício faz parte de uma estratégia de redução de custos em todos os seus processos e atividades, inclusive em gestão predial. O imóvel possui atualmente taxa de ocupação de 20% e elevados custos de manutenção. Essa iniciativa não é pontual em uma região específica e faz parte de uma gestão responsável dos recursos”, disse por meio de nota. 

O funcionário argumenta. “Isso de 20% é mentira, temos provas. Temos acesso à ocupação de todos os prédios da Petrobras pelo sistema e podemos ver que aqui, hoje, a ocupação é de 52%. Haveria outras formas de economizar, prédios próprios ou mais próximos de Salvador”. 

O homem disse ainda que, com a entrega da liminar, pela primeira vez ele sentiu um fio de esperança. “Há mais de um mês não sinto nada bom como hoje. Foi a esperança de que algo pode acontecer. Mesmo sabendo que é uma briga de cachorro grande e que a Petrobras vai recorrer até o fim. Tinha muita gente chorando de emoção, foi um dia de alívio”, comentou sobre a entrega da liminar.





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