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Mulheres que perderam bebês em fase final da gestação querem opção de doar leite materno






Por: Folhapress

Mulheres que perderam seus bebês na fase final da gestação ou após o nascimento e que querem doar o leite são impedidas de fazê-lo nos bancos de leite brasileiros.



As instituições dizem se apoiar em norma da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) de 2006 que coloca como um dos critérios para a mãe poder fazer a doação "estar amamentando ou ordenhando leite humano para o próprio filho".

Segundo Danielle Aparecida da Silva, coordenadora do centro de referência da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano, a norma da Anvisa é clara em relação à restrição.

Ela afirma que existem razões psicológicas e fisiológicas que contraindicariam essa doação pela mãe que perdeu o bebê. "Pode prolongar o luto."



Como não está dando o peito nem esvaziando a mama cheia de leite, essa mulher ficaria também mais suscetível a inflamações no seio como a mastite, que também afeta mães que amamentam, causando desconforto e dor. Se não tratadas, podem se transformar em infecção. 

"A mulher [que perdeu o bebê] pode ir até um banco de leite e fazer uma ordenha de alívio. Lá será orientada pelos profissionais de saúde, inclusive por psicólogos, que não deve continuar estimulando [a lactação] para que não tenha esse desgaste", explica.

Em nota, a Anvisa diz que não há proibição expressa para a doação de leite materno por mulheres que perderam seus filhos, desde que atendam aos demais critérios -ser saudável, não fumar, não beber, não usar drogas.



"A necessidade de 'estar amamentando ou ordenhando LH [leite humano] para o próprio filho' só se aplica às mulheres cujos filhos estejam vivos", diz a nota.

Segundo a agência, "a norma não previu a excepcionalidade de doações de mães que se encontram em luto".

Protocolos internacionais sobre perdas gestacionais ou morte de bebês, como o do sistema de saúde do Reino Unido, dão a opção para a mãe enlutada de fazer a doação do leite, caso seja a sua vontade, ou iniciar a supressão orientada por profissionais de saúde.



Segundo a psicóloga Heloísa Salgado, pesquisadora na área de luto perinatal, não há razões técnicas descritas na literatura mundial que impeçam a doação de leite por mães enlutadas.

"Não podemos fazer normas que restrinjam a escolha da mulher. Elas precisam acolher as várias opções. Ela pode doar o leite, suprimir com medicação, tentar diminuir a produção enfaixando [os seios] ou simplesmente aguardar", afirma Heloísa, co-autora do livro "Como lidar com o luto perinatal".



Segundo a psicóloga, a questão vem sendo debatida em maternidades que estão adotando novos protocolos de acolhimento das famílias em casos de perdas de bebês.

"Não atrapalha o luto. Muitas mães relatam que gostariam de ter tido essa opção, mas elas já saem da maternidade com a medicação para suprimir o leite. As poucas que conseguem chegar aos bancos de leite têm negado esse desejo."





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