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Ipea: mais pobres são os únicos a perder rendimento no Brasil sob Bolsonaro



Jaqueline diz que as "pessoas ficam com medo de comprar" o pescado produzido por sua família - Beto Macário/UOL

Por: Carlos Madeiro / UOL

A faixa de renda dos brasileiros mais pobres foi a única que perdeu rendimento real nos três primeiros trimestres do ano, segundo estudo feito pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). Ao todo, 51,8% dos brasileiros mais pobres não tiveram ou perderam rendimentos nos nove primeiros meses do ano.



Os dados têm como base a PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio) Contínua, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas) e a inflação por classe social medida pelo próprio Ipea. As informações do estudo usam como correção o indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda, divulgado mensalmente.

Cruzados com os dados da PNAD, os dois últimos trimestres registraram queda nos rendimentos entre os mais pobres, de 1,43% e 0,34%, respectivamente. No ano, a queda somada é de 1,67%.



Nas outras cinco faixas de renda, os brasileiros tiveram melhora de rendimentos. O destaque desse estrato foi a classe média da faixa 4, com rendimento mensal entre R$ 4,1 mil e R$ 8,2 mil por domicílio. Nessa faixa, a alta nos nove primeiros meses do ano foi de 13,1%.

"Vida ficou mais cara"

Em conversa com moradores de locais pobres, não é difícil perceber que o ano foi difícil. Na comunidade Sururu de Capote, na orla lagunar de Maceió, muitos moradores relatam dificuldades e perdas em 2019.



"Esse ano foi de dificuldade em tudo: ganhamos menos, a vida ficou mais cara e, para piorar, meu filho [de 20 anos] foi brincar por aí e virou pai", conta a marisqueira Jaqueline Araújo, 37, que mora com os três filhos e ainda enfrentou uma dificuldade especial esse ano: as manchas de óleo nas praias do Nordeste. "Aqui na lagoa nunca chegou o óleo, mas as pessoas ficam com medo de comprar nosso pescado, isso dificultou ainda mais."

Com atividade marisqueira, ela conta que não conseguiu nos últimos meses um rendimento sequer de R$ 500. Sem receber Bolsa Família, ela completa renda cozinhando aos sábados para um projeto comunitário. "Não tem salário, é só uma ajuda de custo, mas vem para ajudar", diz.



A faixa "renda muito baixa" reúne 29,6% dos domicílios brasileiros e é a maior entre os seis estratos medidos: ela inclui aqueles lares com renda mensal de até R$ 1.643,78. Além daqueles de renda mais baixa, 22,2% dos domicílios não tiveram rendimento no terceiro trimestre, e não têm alta ou baixa contabilizados. Entretanto, em comparação ao último trimestre do ano passado, o percentual de domicílios sem rendimento subiu 0,3 pontos percentuais, de 21,9% para 22,2%.

Em comparação com anos anteriores, percebe-se que o maior rendimento já obtido pela faixa mais pobre da população ocorreu no primeiro trimestre de 2015, quando o valor médio chegou a R$ 843,20 —já descontado a inflação. No terceiro trimestre do ano, essa renda média ficou em R$ 805,50, a menor desde o primeiro trimestre de 2017. Segundo a pesquisa, no terceiro trimestre de 2019, "a renda domiciliar do trabalho da faixa de renda alta era 30,5 vezes maior que a da faixa de renda muito baixa."




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