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Vítimas do coronavírus são alvos do ódio digital




Por: Ethel Rudnitzki, Laura Scofield / Agência Pública

No dia 7 de março, quando a pandemia do coronavírus tinha acabado de chegar ao Brasil, Jeferson* foi a um casamento na Bahia, estado que havia acabado de confirmar seu segundo caso, dentre os 19 confirmados então. Quando voltou para sua cidade, no interior de São Paulo, ficou sabendo que três pessoas que foram no evento estavam infectadas com o vírus. Imediatamente, fez o exame para COVID-19 e se colocou em isolamento, interrompendo suas atividades de trabalho. Além disso, também publicou em suas redes sociais um vídeo com esclarecimentos sobre seu estado de saúde para informar a família e os amigos.




A resposta foi virulenta e imprevisível. Seu vídeo circulou em grupos de Whatsapp e Facebook, acompanhado de acusações de que estava espalhando o vírus pela cidade de 115 mil habitantes e desrespeitando a quarentena. “Surgiu muita coisa, pessoas falando que me viam na rua, e era mentira. Inventaram que eu estava na UTI, entubado, muita falação… Eu fiz tudo certinho, mas realmente teve muita invenção”, conta. A notícia do jornal local sobre o caso recebeu de 300 comentários no Facebook, entre eles: “Manda esse bosta pra PQP”; “É um total irresponsável”; “O doutor playboyzinho vai no casamento na casa do caralho e vem trazendo o vírus.” Enquanto ainda estava em isolamento, ele recebeu uma ligação no interfone de seu apartamento de um vizinho, que não se identificou. “Ah, se eu te ver no corredor… Fica esperto!”, dizia a ligação.





Reprodução

Ataques direcionados a Jeferson nas redes sociais

Alguns dias depois, saiu o resultado negativo do exame. Mas os ataques continuaram. “É um babaca que saiu anunciando que estava infectado e deixando a população assustada”; “Queria fama”.

“Foi um alívio quando saiu o resultado negativo. Mas continua tendo muita conversa”, contou à Agência Pública.

Jeferson é apenas uma das pessoas que teve suspeita de infecção ou ficou doente e sofreu ataques nas redes sociais. A Agência Pública conversou com outras quatro vítimas, que receberam desde xingamentos até ameaças de morte em grupos de Whatsapp e postagens em redes sociais. Os entrevistados relatam que grande parte dos ataques culpa eles pelo vírus através de falsas acusações e desinformação.

Veja reportagem completa




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