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Desigualdade social é fator de risco para mortes de crianças e adolescentes por Covid-19 no país





Por: Agência Pública

Desde o início da pandemia de Covid-19 no Brasil, há consenso internacional de que o principal grupo de risco da doença são idosos e pessoas com comorbidades graves. Mas, embora a maior parte das internações e óbitos pelo novo coronavírus siga esse padrão também no Brasil, o número de mortes e internações de crianças e adolescentes na pandemia no país está consideravelmente acima dos demais países. Segundo especialistas, a desigualdade social pode ser um dos fatores que explica o fenômeno. Levantamento realizado pela reportagem verificou que a maior parte dos menores de idade vítimas da doença vivia em periferias, favelas ou bairros pobres nas capitais brasileiras. Em São Paulo, por exemplo, 93% dos casos de mortes de crianças e adolescentes por Síndrome Respiratória Aguda, comprovadamente relacionadas ao Covid-19 ou sem motivo identificado, foram de moradores de bairros periféricos ou de baixa renda.




Epicentro mundial do coronavírus desde o último domingo (31), o Brasil atingiu mais de 600 mil casos de infecções e já quase 40 mil mortes, sendo que ambos os dados estão bastante subnotificados; são cerca de 4,5 mil testes a cada 1 milhão de habitantes no país, mais de dez vezes menos do que os Estados Unidos, por exemplo. Das mortes notificadas no Brasil, 141 se referem a pessoas menores de 19 anos, conforme Boletim Epistemológico divulgado pela Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde (MS) na semana passada.

Entre as vítimas, há recém nascidos que pegaram a Covid-19 ainda na barriga da mãe ou no hospital, como Gabriel Martins, de São Vicente, litoral paulista, que viveu por apenas uma hora e não resistiu ao novo vírus. Ou Benjamin Gonçalves Santos, que nasceu em Maceió, e sobreviveu ao coronavírus por dois dias. Seu irmão gêmeo, Marcelo, sobreviveu. No site Inumeráveis, que traz depoimentos sobre as vítimas da doença, Gabriel é lembrado por ter sido “muito amado” na gestação, e Benjamin, como a “estrelinha” que chutava bem forte o lado direito da barriga da mãe.




As faixas etárias mais afetadas por Covid-19 entre os mais jovens são as de menores de um ano de idade, com 41 mortes, e a de pessoas entre 15 e 19 anos de idade, com 25 óbitos registrados. Outras ferramentas públicas de dados, no entanto, já divulgam números maiores em relação à mortalidade de crianças e adolescentes. De acordo com o Portal da Transparência, ferramenta do Registro Civil brasileiro, que reúne informações de certidões de óbitos, já são 56 mortes de crianças menores de 9 anos no país e 313 mortes na faixa etária entre 10 e 19 anos de idade, somando um total de 369 mortes. Especialistas acreditam que as crianças que correm mais risco são as portadoras de comorbidades graves, principalmente aquelas que necessitam de internação hospitalar durante a pandemia.

É o caso de um menino de cinco anos que já estava internado por meningite em São Gonçalo, zona metropolitana do município do Rio de Janeiro e de uma bebê de seis meses portadora de HIV que faleceu de uma suspeita de Covid-19 em Niterói (RJ), no dia 5 de maio. Uma criança de 1 ano e 5 meses, do sertão pernambucano, que tratava uma leucemia em um hospital de Recife também faleceu, assim como uma adolescente de 14 anos de Betim (MG), que aguardava um transplante cardíaco internada em um hospital de São Paulo desde janeiro.




Também há registros de mortes de crianças e adolescentes indígenas, população considerada mais vulnerável a infecções virais. Um jovem Yanomami, de 15, morreu de Covid-19 no dia 9 de abril, tornando-se o primeiro caso da doença entre seu povo. O adolescente vivia em uma comunidade da região do Rio Uraricoera, que de acordo com relatos de indígenas, é tomada pelo garimpo ilegal, provável fator de infecção dos Yanomami.

Para tentar chegar a um número de casos mais próximo do real, a Agência Pública investigou os casos de crianças e adolescentes hospitalizados no país por Síndrome Respiratória Grave Aguda (SRAG), a principal doença desenvolvida pelo novo vírus mundialmente, desde o início da pandemia. Os dados brutos de uma planilha do DataSus, do Sistema Único de Saúde (SUS), atualizada até esta terça-feira (2), mapeados pela reportagem, mostram que há mais óbitos e internações entre crianças e adolescentes do que as que aparecem nos registros oficiais. Desconsiderando os casos de SRAG sabidamente relacionados ao vírus da gripe, o Influenza, e também casos causados por fatores não-virais, há 225.164 registros de hospitalizações por SRAG nesta pandemia no Brasil, a maior parte resultando em internações, um aumento de 30% em relação ao mesmo período do ano passado.




De todos os registros de hospitalização por SRAG, são de menores de 19 anos, aproximadamente 8% dos casos. Em duas semanas a hospitalização de crianças e adolescentes cresceu 2% em relação aos registros totais. Do total de casos de crianças e adolescentes hospitalizadas por SRAG, 754 vieram a óbito, um número bem maior, portanto, do que os indicadores confirmados de Covid mostram. (Reportagem completa).




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