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Ministério da Saúde descumpre metas de testagem e atrasa controle da Covid-19








Sete meses após anunciar a distribuição de 46 milhões de testes para diagnosticar o novo coronavírus, o Ministério da Saúde só entregou até agora 38% dos kits para exames a estados e municípios. São 17,6 milhões do total prometido.

O montante vai na contramão de cronogramas anunciados pela pasta no programa Diagnosticar para Cuidar. Era prevista a entrega e o uso de quase a totalidade dos testes até outubro, com volume menor até o fim de dezembro.

O objetivo era aumentar o rastreamento de possíveis casos da Covid-19. Desse modo, o poder público obteria maior controle da epidemia.

Análise de indicadores mostra que boa parte das metas antigas de testagem ainda está longe de ser atingida. Isso hoje ocorre, porém, não por falta de testes.

Em junho, o Ministério da Saúde pediu à Fiocruz que suspendesse temporariamente a produção de 7,6 milhões de testes. A previsão era de entrega ainda neste ano.



style="text-align: justify;">O pedido ocorreu por causa do alto número de testes que a pasta já mantinha em estoque, segundo o próprio ministério, que pouco avançou na distribuição nos meses seguintes.

Para especialistas, a situação revela falta de planejamento e organização da pasta para o controle da doença.

"O Brasil tinha condições de fazer enfrentamento adequado da epidemia, mas não tem um plano completo para isso", diz o epidemiologista Guilherme Werneck, vice-presidente da Abrasco (Associação Brasileira de Saúde Coletiva). "É um problema logístico."

A análise de outros indicadores de testagem no país evidencia o tamanho dos gargalos.



Até agora, o Brasil aplicou 5,7 milhões de testes do tipo RT-PCR na rede pública. O número representa só 23,6% do previsto para este ano nas metas do governo lançadas em maio. Era prevista, nesse modelo, a realização de 24 milhões de exames.

Também estava no plano a distribuição de 22 milhões de testes rápidos, considerados menos precisos. A pasta não informou quantos desses exames já foram feitos no SUS.

Questionado sobre o que levou à baixa distribuição dos testes, o ministério diz que o fornecimento ocorre com base nas solicitações dos laboratórios vinculados aos estados. "O quantitativo solicitado foi enviado em sua totalidade."

Secretários estaduais e municipais de Saúde apontam outros problemas. Eles citam falta de instrumentos para coleta e outros insumos necessários para a realização dos testes --como kits de extração de material genético.



O grupo diz que emitiu alertas em diferentes momentos à pasta, mas a situação só começou a ser regularizada em agosto.

Ainda de acordo com o Conass (conselho dos secretários estaduais), embora as secretarias de Saúde tenham um estoque estratégico que permite realizar 1,5 milhão de exames, há o risco de que o fornecimento do material volte a apresentar problemas nos próximos meses.

A preocupação ocorre porque um contrato para a aquisição de insumos foi cancelado após problemas detectados por órgãos de controle. Representantes da pasta têm dito que pretendem fazer novo pregão nos próximos dias.

Em meio a críticas por gargalos na testagem, o secretário-executivo do ministério, Elcio Franco, disse nesta sexta-feira (28) que testes não são "requisito" para diagnóstico e tratamento.

Alberto Chebabo, da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia), afirma que, embora o diagnóstico clínico seja importante, não há como abrir mão dos testes. "A melhor estratégia que temos nesse momento não é ivermectina, cloroquina nem vacina. É testar, diagnosticar e isolar os casos positivos", diz.




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