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Saúde: novo ministro deverá repetir os mesmos erros de Pazzuelo


Por: Josias Souza / UOL

Cardiologista, Marcelo Queiroga declarou que dará "continuidade" à gestão do general Eduardo Pazuello. Fará isso porque "a política é do governo Bolsonaro, não é do ministro da Saúde".



Quer dizer: o novo gestor da pandemia tem a missão inconsciente de desnudar o governo Bolsonaro, como quem acentua os erros, cometendo-os novamente. Noutros países, o vírus é a crise. Aqui, o capitão infecciona o vírus.

Em balanço feito na segunda-feira, Pazuello declarou que "o Brasil está de parabéns" pela forma como lida com a crise. O general definiu sua gestão como "um sucesso". Pazuello é a pessoa mais eficiente que Pazzuello conhece.

Queiroga sabe que a política sanitária do governo é desastrosa. Não ignora que a cabeça de Pazuello foi à bandeja para que a de Bolsonaro permaneça sobre o pescoço. A despeito disso, fala em continuar o descalabro.

Tudo fica irrisório quando um médico, em meio a quase 280 mil cadáveres, declara que assume o cargo máximo do setor de Saúde para dar "continuidade" a uma gestão que conspira contra a vida.



O cenário não pode ser entendido à luz da racionalidade. Jornalistas e especialistas se exaurem tentando criticar Bolsonaro e seu elenco de apoio com base no bom senso. O capitão segue uma verdade própria, que o mundo vê como insanidade.

Cardiologista como Queiroga, Ludhmila Hajjar rejeitou o convite para ser a continuidade da cloroquina, da aversão ao isolamento social, da descoordenação, da desorientação, da beligerância... Bolsonaro não suportou tanta lucidez!

Mas Queiroga é mais sagaz. Sabe que os 526 milhões de doses de vacina que o governo diz ter comprado só existem no gogó de Pazuello. Vive a síndrome da hecatombe humanitária que ainda está por vir nas UTIs e nos cemitérios.

Quando diz, estalando de pureza científica, que não dispõe de "vara de condão" para resolver os problemas e dará "continuidade" ao "sucesso" de Pazuello, o doutor Queiroga como que estimula o centrão a dar alta a Bolsonaro, livrando-o do martírio do isolamento que o mantém longe do convívio com a racionalidade.

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