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Uso político e ideológico da morte do policial militar em Salvador

Foto: arquivo pessoal

Na tarde de domingo 29, o policial militar Wesley Soares se encaminhou em direção ao Farol da Barra, ponto turístico de Salvador. Fardado, armado com um fuzil e com o rosto pintado de verde e amarelo, dava tiros para o alto para o alto dizia frases desconexas como: “Venham testemunhar a honra ou desonra do policial militar da Bahia” e “não vou permitir que violem a dignidade humana de um trabalhador”.



Segundo a Polícia Militar, o soldado estava em ‘descontrole emocional’. A PM isolou a área e chamou equipe do BOPE para tentar negociar com o policial. Após três horas e meia de negociação, já no início noite, Soares disparou contra os policiais e foi abatido. Morreu horas depois no Hospital Geral do Estado.

O caso mobilizou policiais. Na madrugada, houve um protesto em frente ao hospital onde o soldado foi socorrido. Uma outra manifestação ocorre na manhã desta segunda-feira 29 no Farol da Barra. O principal articulador dos protestos é o deputado estadual Soldado Prisco (PSC), um ex-PM e articulador contumaz de greves no estado. Prisco é ex-presidente da Associação dos Praças Policiais e Bombeiros Militares da Bahia, a Aspra.

Em paralelo, figuras importantes do entorno bolsonarista vem tentando conduzir politicamente a repercussão do caso. A deputada Bia Kicis (PSL), atual presidente da CCJ, disse que o soldado morreu porque “se reusar prender trabalhadores” e “disse não às ordens ilegais do governador Rui Costa”. O post foi apagado depois.



Para o professor Rafael Alcadipani, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o caso é um triste exemplo de erosão da saúde mental entre a categoria. “O policial do Brasil se mata mais que a média da populaçã mais que a média dos policiais no mundo”, diz. “É lamentável que um governo que não faz nada pela saúde mental dos policiais tente fazer uso político e ideológico dessa morte.

“Uma coisa é ter um problema salarial grave… Nessa situação, me parece haver tentativa de se contrapor a ordem do governador. Se eles fizerem uma greve, vão desejar o quê? O fim do lockdown?” Em conversa com CartaCapital, ele avalia o caso. Confira a seguir: clique aqui.

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